Hoje em dia, não tem como pensar em produção de alimentos sem os adventos da ciência e suas tecnologias, na produção de animais para ofertar carne, leite e ovos é impactante a quantidade de pesquisas e tecnologias desenvolvidas e em desenvolvimento pelo mundo a fora.

Temos então ferramentas importantes que fazem parte de toda a ciência e tecnologias envolvidas no processo de produção animal e fabricação de seus produtos dentre elas podemos destacar:
O Melhoramento Genético que acontece a partir da seleção genética das espécies dos animais utilizados para a produção tanto de carne, leite e ou ovos, com usos de técnicas de reprodução assistida, para obter uma criação de animais com as características desejáveis de acordo com o que vai produzir garantindo a saúde e resistência do animal as doenças.
A Seleção Genômica faz parte do melhoramento genético pois faz uso de marcadores genéticos e técnicas de sequenciamento de DNA para uma seleção precisa de características desejáveis nos animais: como maior produção de leite, crescimento mais rápido, qualidade da carne, qualidade do leite e ovos. Temos também a Edição Genética como o CRISPR-Cas9, explorada para introduzir modificações específicas no genoma animal com o objetivo de melhorar características como resistência a doenças, eficiência alimentar e qualidade dos produtos.
Ainda na genética podemos utilizar o melhoramento por meio de RNAi que consiste numa técnica que permite silenciar genes específicos modulando, ou seja, manipulando as características como a produção de leite e a qualidade da carne por exemplo.
A genética e suas ferramentas têm ajudado os pecuaristas a lidarem com as mudanças climáticas e desafios ambientais, pelo fato de a genética ofertar animais mais resistentes e adaptáveis principalmente quanto a obtenção das características referente a resistência ao calor, melhor eficiência no uso de água e maior tolerância a condições adversas do ambiente em que estão sendo criados.
Assim os programas de melhoramento compilam informações genômicas sobre o animal que permite uma seleção mais eficiente e rápida de animais com potencial genético superior com foco no aumento da produtividade. Temos então o Multitrait e Multibreed, que faz uso do melhoramento genético de múltiplos traços simultaneamente, e também a combinação de diferentes raças adquirindo maior heterose e assim melhorando a produtividade do rebanho.
Além do melhoramento genético a nutrição animal oferta rações mais eficientes e balanceadas, atendendo às necessidades específicas de diferentes espécies e estágios de vida, resultando em um melhor crescimento e produção.
Avanços na ciência da nutrição dos animais tem levado a produção de uma dieta altamente personalizada e adaptada às suas necessidades individuais, com base em dados específicos e tecnologias avançadas, a partir do uso de um levantamento e análise dos dados obtidos sobre o rebanho, como idade, peso, condição corporal, taxa metabólica e desempenho produtivo, a partir daí a nutrição animal é mais precisa pois considera as necessidades específicas de cada animal em termos de proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas, minerais e outros nutrientes essenciais para garantir uma dieta balanceada e adequada.
Na nutrição diária dos animais a tecnologia de monitoramento com uso de sensores e dispositivos de monitoramento são importantes para coletar informações em tempo real sobre o consumo de alimentos, comportamento alimentar, atividade física e a saúde dos animais.
Outro ponto importantíssimo é a adaptação dos animais ao ambiente de criação e produção, onde é monitorado continuamente o desempenho e a saúde dos animais, para ajustes rápidos na dieta em resposta a mudanças nas condições ambientais, estágio de crescimento ou produção, maximizando a eficiência alimentar e minimizando o desperdício.
Este manejo mais preciso da alimentação dos animais de produção impacta na redução de custos e no meio ambiente, pois ao fornecer uma dieta mais precisa e eficiente, reduz o custo na compra da ração e diminui também a excreção de nutrientes no solo. Tornando o manejo nutricional economicamente viável e ambientalmente sustentável. O bem-estar animal também e obtido por atender as necessidades nutricionais dos animais garantindo a manutenção da saúde e melhor qualidade de vida.
Conhecimentos e técnicas aplicadas ao manejo sanitário dos animais, como o avanço em diagnóstico, vacinas e tratamentos contribuem para a prevenção e controle de doenças, reduzindo perdas na produção e melhorando a qualidade dos produtos, por exemplo técnicas de diagnóstico, como testes rápidos de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase) e métodos de detecção de biomarcadores, permitem uma identificação mais rápida e precisa de doenças, possibilitando a implementação de medidas preventivas e de controle mais eficazes.
Também o desenvolvimento de vacinas com tecnologia de liberação controlada e vacinas recombinantes são tecnologias de ponta que visam proporcionar uma proteção mais duradoura e ampla aos animais.
Temos também a tecnologia de monitoramento remoto, que usam dispositivos vestíveis e sensores implantáveis para acompanhamento da saúde dos animais, uso de dados e inteligência artificial para a identificação de padrões e tendências relacionadas à saúde dos animais, auxiliando na previsão de surtos de doenças são estratégias preventivas personalizadas e altamente tecnológicas.
Assim hoje temos um melhoramento constante da biosseguridade implementadas para minimizar o risco de introdução e disseminação de doenças nos sistemas de produção, incluindo protocolos de desinfecção, controle de vetores e gestão de resíduos. Além do desenvolvimento de alternativas aos antibióticos como probióticos, prebióticos, ácidos orgânicos e fitoterápicos, para auxiliar no controle de doenças e na promoção da saúde dos animais.
No quesito produção animal com automação, os sistemas de alimentação, ordenha e monitoramento de saúde são em sua maioria todos automatizados, essa aplicação tecnológica nos permite uma gestão mais eficiente e precisa dos rebanhos, aumentando a produtividade e reduzindo custos operacionais impulsionando a eficiência, a precisão e a sustentabilidade da produção, temo por exemplo:
- Ordenha Automatizada, comuns em fazendas leiteiras, permitindo que as vacas sejam ordenhadas automaticamente em horários programados ou quando desejam ser ordenhadas, reduzindo a carga de trabalho manual e melhorando o bem-estar animal.
- Alimentação Automatizada para distribuir ração de forma precisa e programada, otimizando o consumo de alimentos, reduzindo o desperdício e permitindo uma gestão mais eficiente da dieta dos animais.
- Monitoramento da Saúde e Comportamento com Sensores e dispositivos de monitoramento que acompanham continuamente a saúde, o comportamento e o desempenho dos animais, fornecendo dados em tempo real que auxiliam na detecção precoce de problemas de saúde e na identificação de padrões de comportamento.
- Sistemas de Ventilação e Climatização automáticos que controlam a temperatura e umidade, criando condições ambientais ideais nos galpões e instalações de produção, garantindo o conforto e o bem-estar dos animais, especialmente em regiões com variações climáticas extremas.
- Manejo de Resíduos automatizado como compostagem e biodigestores tendo como resultado tratamento eficiente de esterco e outros resíduos de produção animal, reduzindo o impacto ambiental e gerando energia renovável.
- Identificação e Rastreabilidade com identificação eletrônica, como microchips e tags RFID (Identificação por Radiofrequência), utilizadas para rastrear individualmente os animais ao longo de toda a cadeia de produção, garantindo a segurança alimentar e a conformidade com regulamentações.
- Robótica e Automação de Tarefas, com o uso de robôs na limpeza de instalações, transporte de alimentos e materiais, e até mesmo na aplicação de tratamentos e medicamentos, reduzindo a dependência de mão de obra manual e aumentando a eficiência operacional.
A pesquisa científica tem contribuído para o desenvolvimento de práticas de criação mais éticas e sustentáveis, garantindo o conforto e o bem-estar dos animais, o que também pode impactar positivamente na produtividade, respeitando a Legislação e Regulamentação para proteger o bem-estar animal e estabelecer padrões mínimos para as práticas de criação, transporte e abate de animais, além aspectos como espaço adequado, nutrição, manejo sanitário, transporte humanitário e métodos de abate.
Assim empresas e criadores têm buscado obter as certificações e programas de bem-estar animal para demonstrar compromisso com o bem-estar animal por meio de práticas de produção verificadas e auditadas por terceiros que por sua vez impactam na fidelização de sua clientela que a cada dia está mais atenta as estas questões relacionadas a criação e produção animal com bem estar.
Graças a pesquisa científica a compreensão das necessidades e comportamentos dos animais, bem como para o desenvolvimento de práticas e sistemas de produção que promovam o bem-estar animal tem sido amplamente divulgadas para assim aumentar a conscientização pública sobre a importância do bem-estar animal, impulsionada por preocupações éticas, ambientais e de saúde, sendo assim, os consumidores estão cada vez mais exigindo produtos de origem animal que sejam produzidos de forma ética e sustentável, o que tem incentivado a indústria a adotar práticas mais humanitárias.
Assim, será possível aumentar a eficiência no uso de recursos naturais, como água, terra e energia, reduzir o impacto ambiental da produção animal, reduzir o desperdício, usar tecnologias de reciclagem de resíduos e implementar sistemas de produção integrados, como por exemplo integrar a produção animal com sistemas agrícolas diversificados e rotação de culturas, concluindo, o desenvolvimento e a adoção de tecnologias inovadoras, como sistemas de monitoramento de saúde e comportamento animal, automação de processos de produção, e técnicas avançadas de melhoramento genético, podem aumentar a eficiência e a sustentabilidade da produção animal.
Enfim, o avanços em ciência e tecnologia têm possibilitado o desenvolvimento de sistemas de criação com o intuito de atender às necessidades naturais dos animais, impulsiona também a disseminação do conhecimento tanto entre produtores quanto entre profissionais de saúde animal, pesquisadores e outros envolvidos na cadeia de produção, onde a colaboração entre diferentes partes interessadas é essencial para promover práticas de produção animal que respeitem e protejam o bem-estar dos animais e que permita uma tomada de decisões mais racionais e estratégicas para otimizar a produção, impulsionando a eficiência, a qualidade e a competitividade do setor.
Weslane – Colunista Society


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