Agroindústria: produção de derivados da mandioca

Conhecida por diferentes nomes pelo país, como por macaxeira ou aipim, raiz é produzida, em maior parte, por agricultores familiares que estão agregando valor ao alimento para diversificar renda. Aipim, macaxeira, mandioca: em cada canto do país, ela assume um nome e um uso diferente. No Norte, é transformada nas tradicionais farinhas d’água ou de puba, que são fermentadas em água, em um processo passado de geração em geração pelos índios.

O uso alimentar mais generalizado é na produção de farinha que, em alguns estados, é a base da alimentação. Como derivado mais comum da mandioca, a farinha é um alimento calórico com grande variação quanto à cor, textura, granulometria e acidez. Produzida em diferentes regiões do Brasil, caracteriza-se por ser um alimento de alto valor energético, com teor elevado de amido, fibras e alguns minerais como potássio, cálcio, fósforo, sódio e ferro.

A mandioca mansa (de mesa) pode ser consumida na forma in natura, tanto na alimentação humana, quanto animal. Seus principais produtos derivados são os minimamente processados ou os processados, como mandioca pré-cozida congelada e os chips. Já os principais produtos derivados da mandioca ou mandioca brava são a farinha seca, farinha d’água, farinha temperada, fécula ou polvilho doce e polvilho azedo.

  • Mercado e comercialização

Apesar da grande diversidade, o sistema produtivo da cadeia da mandioca apresenta três tipologias básicas: a unidade doméstica, a unidade familiar e a unidade empresarial. Essa tipologia leva em consideração a origem da mão-de-obra, o nível tecnológico, a participação no mercado e o grau de intensidade do uso de capital na exploração.

A unidade doméstica é caracterizada por usar mão-de-obra familiar, não utilizar tecnologias modernas, participar do mercado vendendo apenas o excedente e dispor de pouco capital para investimento. A unidade familiar já adota algumas tecnologias modernas, tem uma participação significativa no mercado e dispõe de algum capital para investir; embora a mão-de-obra seja a familiar, às vezes contrata diaristas ou empreiteiros para as tarefas de plantio, capinas e colheita. A unidade empresarial caracteriza-se pelo emprego da mão-de-obra de terceiros, dispondo de capital para investimento. As unidades empresarial e a do tipo familiar, juntas, respondem pela maior parte da produção de raízes no Brasil.

O segmento de processamento da cadeia da mandioca está intimamente relacionado com o uso das raízes para a indústria de farinha, de fécula, de alimentos pré-cozidos, de congelados de mandioca e de ração animal, localizadas no Estado do Mato Grosso do Sul, nos seguintes municípios: Dois Irmãos do Buriti, Campo Grande e Terenos.

A escala de operação das indústrias de processamento de farinha vai desde as pequenas unidades artesanais de processamento (comunitárias ou privadas) até as unidades de grande porte que processam, em média, 300 sacas de farinha por dia, passando pelas unidades de médio porte (100 sacas por dia). A maioria das fecularias possui capacidade operacional para moer, no mínimo, 150 toneladas de mandioca por dia. Na cadeia da mandioca existem ainda outros produtos de importância econômica regional e que são comercializados de forma informal, como é o caso da raspa de mandioca e da parte aérea.

As etapas de processamento e distribuição às vezes são realizadas por um mesmo ator. Essa situação pode acontecer no mercado de farinha, de raízes frescas e de fécula, ou seja, um mesmo produtor/empresa processa e distribui os produtos. Neste caso, as raízes frescas (no caso dos aipins) são comercializadas: nas feiras (atacado ou varejo), para atravessadores, nas CEASA’s, para a agroindústrias, supermercados e sacolões/frutarias. A farinha é vendida em feiras livres e repassada para supermercados. Já no caso da fécula, ocorre a comercialização diretamente com as empresas que irão usá-la como insumo em diversos processos industriais. Apesar do crescimento da comercialização via associações e cooperativas, ainda prevalece a figura do intermediário como principal agente de comercialização na cadeia. Essa função é exercida por agentes esporádicos (caminhoneiros) e por comerciantes regularmente estabelecidos nos centros urbanos.

O processo de embalagem depende do produto (farinha ou fécula) e do mercado a que se destina. No caso da farinha, é comercializada nas feiras livres, geralmente embalada em sacas de 50 kg, ou em supermercados, embalada em pacotes de meio, um ou dois quilos, vendidos em fardos de 30 kg. Já a fécula é embalada em sacas de 25 kg, para atender tanto ao mercado atacadista como ao mercado das indústrias; no caso desse último mercado, a fécula também pode ser comercializada em embalagens de maior capacidade. As raízes destinadas ao consumo in natura são comercializadas em caixa tipo “k” retornáveis de 23 kg.

O segmento de consumo da cadeia da mandioca, na Região do Cerrado, é caracterizado por consumidores que absorvem a própria produção, ou seja, são agricultores que definem os produtos em função de suas preferências e hábitos regionais. Cerca de 62% da produção são retidos nos estabelecimentos agropecuários de forma in natura, servindo de alimento tanto para o ser humano como para os animais (gado, porco e galinha), e também como matéria-prima para as pequenas casas de farinhas e para a fabricação de polvilho.

 

 

Fontes: g1.globo.com / sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br /

Imagem: pinterest

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